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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Em fim emocionante, VR Falcons vence o Nova Friburgo Yetis em mega evento no Raulino

Em novo recorde no Rio de Janeiro, o Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, recebeu cerca de 5 mil pessoas durante as seis horas de evento, no último domingo (19). A festa foi perfeita do começo ao final: começando com uma vitória de 38 a 6 do Valença Hunters em cima do estreante Barra Mansa Sloths no amistoso preliminar e encerrando o Desafio Correta Home, o VR Falcons fez uma virada cinematográfica sob o Nova Friburgo Yetis, marcando 22 a 18 ao fim do relógio de jogo.

O duelo entre Volta Redonda e Nova Friburgo tinha um favoritismo divido e, eu diria, incerto. Os Falcons possuem um ótimo grupo e os Yetis já vem de um ano de preparação no Full-Pads e com um elenco encaixado mostrou que vai dar trabalho.

Falcons venceram por 22 a 18 (foto: Saída de Bola)
A história do jogo foi incrível. Os Yetis deram uma carimbada no sorriso dos mandantes já na segunda jogada do Desafio: em conexão do QB Henri Araújo com o WR Lucas Storck, o recebedor fez um touchdown de 82 jardas - conversão de dois pontos bem sucedida; na pressão, na outra campanha, ainda no primeiro período, o LB Bruno Rocha bloqueou um punt dentro da end zone que ao sair pelo fundo do campo aumentou a vantagem para 10 a 0. No segundo quarto, o QB Henri voltou à end zone, dessa vez, em corrida de 10 jardas até à end zone - conversão de dois pontos bem sucedida; os Falcons tiveram um field goal, deixando o placar em 18 a 3 ao fim do primeiro tempo.

O grito de guerra dos Falcons traz a seguinte mensagem: "Nunca pare lutar." - eles não pararam.

Com a torcida inflamada e o time com jogando o fino da técnica e da raça, os Falcons iniciaram a reação com uma conexão do QB Lucas Fonseca com o WR Arthur Barcelos - sem extra point; após deixar os Yetis com as costas nas paredes, Volta Redonda interceptou uma bola com o DT Rodolfo Barreto que, todo malemolente, entrou na end zone após correr três jardas - sem XP.

A jogada da partida!

Após tentar duas conversões de 2 pontos e falhar em ambas, o Volta Redonda Falcons fez a jogada da partida faltando menos de dois minutos para o fim do jogo. Com o placar em 18 a 15, ainda longe da zona de field goal para poder empatar o Desafio Correta Home, o OC Ivan Cunha chamou a famosa Trick-Play, ou seja, uma pegadinha!

O QB Lucas fez um handoff para a corrida à direita do ataque, o WR Jefferson em movimento entregou a bola para o WR Iago Zerbone que fazia uma reversão e o recebedor lançou a bola de forma precisa para o quarterback que se deslocava sozinho, livre, leve e solto na esquerda. Com esse touchdown mágico, o time da Cidade do Aço virou para 22 a 18, após o ponto extra. 

Os Yetis ainda tiveram 47 segundos no relógio, mas nada feito.

Análise:

Volta Redonda Falcons:

Essa versão dos Falcons Full-Pads me agrada. Gostei muito do que vi em alguns aspectos, mas não vai poder ficar tomando uma diferença de 15 pontos toda hora para tentar virar. Com um ataque baseado em formações em I e Pistol, o time joga simples, sem jogadas de efeito, só que com umas Trick Plays guardadas, como vimos no Raulino.

O QB Lucas Fonseca teve um primeiro tempo apagado e uma segunda metade de luz. Elogiado pelos companheiros pela liderança e evolução na posição, o camisa 19 terminou o duelo com dois touchdowns na conta e muito mais. Gostei das jogadas em que ele faz o rollout a favor do movimento  do corpo, mas não consigo mensurar até que ponto isso pode ficar manjado para os adversários que possuirão vídeos do ataque ao longo do ano. 

No jogo terrestre, o RB Giovani dominou as ações. Um running back de força, ele teve boas investidas pelo meio e conseguiu um bom ganho de jardas. Posso chutar que ele teve uma média de 3.5 jardas por tentativa em umas oito corridas. A notícia triste foi a fratura que o RB Guilherme Sargento teve no pé direito após uma jogada. Ele certamente vai perder a temporada. Era um cara para concorrer ao MVP. Boa recuperação, amigo!

O corpo de wide receivers tem dois caras que eu gosto muito. O WR Arthur Barcelos - que marcou seu segundo touchdown no Raulino, na vida - e o WR Carlos Leal, que foi mais apagado, só que vai ter peso durante a temporada. Esse ataque tem uma força terrestre muito grande, mas com a bola aérea que eles podem vingar. Ambos possuem personalidade suficiente para chamar a responsabilidade em um momento difícil. Gosto.

A linha ofensiva me deixou uma impressão muito boa. Gostei especificamente da parte interior. Os espaços abertos com o C Willy e o OG Igor Reis, meu amigo, que coisa linda. Giovani se fez ali enquanto pôde. E mais, Lucas teve tempo no pocket em várias oportunidades e só sofria riscos de sack quando saia do bolsão de proteção.

Na linha defensiva, estou impressionado com a vitalidade do DT Rodolfo Barreto. Eu diria que é dos dominantes da Liga. Ele atropelou, deu tackle for loss, fez touchdown. Noite coroada. Gosto da defesa em formação base 4-3 e ele como pass rusher vai dar trabalho. O DE Guilherme Paiva foi a maior decepção. Não conseguia passar de um bloqueador, estava totalmente passivo e ainda fez uma Facemask criminosa. Mas a DL, no geral, pressionou, desviou passes, forçou a interceptação comprimindo o pocket.

Linebackers muito bem também, obrigado. Iago e Kadu por fora foram bem, não só no que diz respeito aos tackles, mas também por fechar gaps. Essa é uma nuance do jogo que é importante. O jogo fora da bola.

Secundária fraca nesse começo de temporada. Duas interferências de passe e problemas de marcação em algumas partes do jogo.

Nova Friburgo Yetis

Pensando muito sobre esse jogo, hoje, acho que o Yetis é um dos três times que estão mais preparados para o título. É notável que a equipe já se comporta como uma da modalidade Full-Pads. Seja no pensamento, até em fundamentos de reclamação. Um grupo extremamente organizado e unido. É bom de ver.

O QB Henri Araújo foi bem enquanto esteve em campo. Dividindo as funções com o jovem e recém-chegado QB Arthur Farias, eles conduziram o Yetis bem até onde deu, pois o conjunto da defesa adversária e sucessivas faltas colocaram os Homens de Gelo em situações desconfortáveis. Henri é um lançador em evolução e já com um braço calibrado e uma sintonia fina com os recebedores. Arthur deve ser o reserva imediato. Gostei dele. Presença de pocket e boa leitura, apenas precisa ganhar corpo.

O jogo terrestre não foi bem. Nathan não teve sua melhor atuação e Bessa só conseguiu algumas boas investidas em retornos de chute.

Com um jogo prioritariamente aéreo, os Yetis usaram e abusaram de formações com muitos recebedores, geralmente, quatro. O WR Lucas Storck é o melhor deles e, pra mim, o melhor do interior. Com umas sete recepções, eu diria que ele chegou perto da marca das 200 jardas. Baita jogador.

A linha ofensiva foi regular, mas se perdeu em alguns momentos. Algumas leituras de bloqueios falharam, mas isso se conserta com o tempo. Bruno Ceccon foi uma baita Center, não comprometeu. Luiz Thiago fez bem o papel de LT e só em casos de blitzes que vazava no seu lado, normal.

A DL conteve bem algumas corridas, mas a batalha na trincheira foi pesada. Os Falcons se saíram melhor.

O corpo de linebackers teve a volta de Bruno Rocha, que esteve com o Macaé Oilers na temporada passada. Gosto de como Pombo e ele fazem uma boa dupla. O setor é guiado pela mente de Bernardo Scofano e ele sabe como ajeitar as peças. Bom, eles fizeram o que dava para ser feito e mataram muitas jogadas com qualidade.

Na secundária, gostei de ver o ex-LB Lucas Jandre, agora, como strong safety. Um dos melhores tackleadores do time, ele dará um suporte descomunal contra o jogo terrestre, por causa da sua baixa estatatura para o front seven.

Curtinhas:

Como College

Na volta para o terceiro período, por um tempo tínhamos uma banda na arquibancada mostrando seu talento e o jogo rolando. Me senti rapidamente nos EUA.

Cheiro bom demais 

Do campo dava pra sentir o cheiro das comidas servidas nos Food Trucks ao redor do gramado. Parabéns aos Falcons por organizar o evento e colocar essas delícias dentro do estádio.

Agradecimento ao Saída de Bola pela foto.